Quinta-feira, Julho 28, 2005

Em que será que pensam as pessoas quando pensam?


Pintura da autoria da autora do Blog.

1 Comments:

Blogger Letras Afundadas S.A. said...

Vivemos numa época de saturação informacional em que a concisão é desejada, mesmo que enunciada na forma de uma questão, e mesmo que essa questão seja eliptica, senão circular: "Em que será que pensam as pessoas quando pensam?" Comparar, contrastar, sequenciar, classificar e o exercício do raciocínio causal apenas descrevem processos, quando a questão (em questão) refere-se aos objectos do pensamento (em que se pensa). Aqui surge um problema: é que os objectos do pensamento não pertencem ao próprio pensamento - o pensamento limita-se a operar sobre estes objectos (na forma de uma atenção transformadora), que são provinientes da necessidade transfigurada em paixão. Não se entenda por paixão somente aquela assolapada história do Romeu e da Outra; um sinal vermelho apaixona-nos a atenção porque temos necessidade de chegar a qualquer lado, e os exemplos poderiam multiplicar-se, sem necessidade, pois, em suma, as pessoas pensam naquilo que precisam de pensar, isto é, naquilo que as faz viver. Existirá assim um valor-de-vida associado aos objectos do pensamento mais insidiosos, decrescendo este valor-de-vida quando o grau de obcessão com os mesmos diminui. O ponto de paragem num grau próximo do zero da paixão conduz-nos aos objectos acidentais do pensamento, ou seja, conduz-nos a toda a paixão de tal modo débil que não evoca mais pensamento, introduzindo-se na "corrente do pensamento" como ruído de fundo, contra o qual se destaca a figura dominante de outros objectos do pensamento. Para finalizar: se as paixões podem ser caracterizadas como - forçosas - devido a serem a decorrerem de uma necessidade determinada por uma estrutura (biologia do ser) e por uma sucessão de contextos (historicidade do ser), onde surgirá nesta encruzilhada determinista a liberdade no pensar? Talvez não se escolha aquilo em que se pensa - talvez seja "o pensamento a pensar o pensador" e não "o pensador a pensar o pensamento".

1:45 PM  

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